Vila Torres Digital

Baleia, um dos maiores investidores da Vila Torres

Conheça a história de um dos moradores mais famosos da Vila Torres

| Notícias - 03/04/2013 12:08

Poucos conhecem a trajetória da Vila Torres tão bem como este cidadão: José Francisco Sanches, mais conhecido pelo apelido de “Baleia”. Isso porque o famoso morador já completou mais de 50 anos residindo na comunidade e viveu praticamente toda a sua história. É uma longa e bonita caminhada, que ele tem muito orgulho de contar para todos que venham passar uma tarde em sua “pracinha” para bater um bom papo.

E não é apenas o engraçado nome que José conquistou. Durante todo esse tempo, foi construindo o seu próprio negócio, sendo um investidor da própria vila. Da reciclagem de materiais à locação de quartos para moradores de rua, Baleia ganhou o respeito e admiração de todos os seus vizinhos.

Como tudo começou

Natural de Paranacity, Sanches veio para Curitiba ainda menino. Ele conta que a origem de seu apelido veio da época de criança, em meados de 1969. “Um dia, eu estava brincando dentro da água. O pessoal da vila que passava por ali falava: ‘parece uma baleinha”. Desde então, Seu José é conhecido por essa curiosa alcunha.

Com o passar do tempo, Baleia foi crescendo e percebendo que ali era o lugar em que iria vencer na vida. Foram diversos trabalhos e empregos, em diferentes épocas. Apesar de ter sofrido muito no passado, foi fazendo parte da Vila que ele se tornou uma pessoa muito feliz.

Descendente de japoneses, Baleia teve a oportunidade de trabalhar no Japão durante seis anos, de 1991 a 1997, na área de construção de torres elétricas. Embora tenha tido a chance de morar no país, ele conta que lá a vida não foi mais fácil que aqui. No inverno, o frio e a neve eram muito rigorosos.

A distância da família, que continuou em Curitiba, também pesou muito. Porém, durante esse tempo, conseguiu juntar um bom dinheiro e muita experiência, que o fizeram voltar para a Vila e começar criar seu próprio negócio.

Tornando-se Microempresário

Durante muitos anos Baleia teve um depósito de papel. Comprava dos moradores que eram catadores e revendia. Porém, acabou desistindoo dessa ideia, por perceber que acabava incentivando as crianças a também trabalharem como catadoras. Atualmente José mantém dois negócios: a compra e venda de latinhas de alumínio e a locação de casas e quartos na Vila.Ele percebeu que poderia produzir renda ajudando os habitantes mais pobres e os moradores de ruas.

Baleia possui várias casas, as quais aluga por valores mínimos para os necessitados. Para locar um quarto, cobra de R$ 10 a R$ 30 por semana, dependendo das condições financeiras da pessoa. Os quartos estão sempre lotados, com gente de fora da Vila e até pessoas de outras cidades.

Além de garantir o sustento, Baleia também contribui em diversos aspectos. Com a compra de materiais usados de outros moradores, como tintas velhas, ele faz o trabalho de reciclagem e ajuda na preservação e embelezamento do bairro. Ele ressalta a importância de ter uma rua limpa e bem cuidada: “É um investimento barato que ajuda a natureza.“

O Lado Cultural e Urbanista

Além dos cuidados com a parte estética, Baleia também se preocupa com o desenvolvimento social e de infraestrutura. Está sempre procurando investir em ações que tragam benefícios e conhecimento para seus vizinhos.

É responsável por um pequeno museu, no qual reúne centenas de fotos da história da Vila Torres, e seus grandes eventos, como os campeonatos de futebol e festas. Em frente a seu museu, também colocou à disposição das crianças uma gibiteca, para que elas possam ler sem nenhum custo.

Atravessando a rua, encontramos sua famosa praça, a qual ele próprio construiu. Com tintas velhas e pneus usados, projetou um bonito espaço de lazer, o qual acabou se transformando em um centro de eventos. Lá já foram realizadas diversas obras de caridade, como a distribuição de brinquedos para as crianças no natal.

O futuro é uma festa

Baleia afirma que, apesar de a Vila Torres ter passado por anos tão difíceis por causa da alta violência, hoje em dia é um lugar tranquilo e bom demais para morar. Ele sabe o quanto a vila melhorou e é muito feliz morando nela.

Seu objetivo futuro é continuar do mesmo jeito: investindo na comunidade e contribuindo com todos. Um de seus próximos planos é colocar um telão para a Copa do Mundo, como já feito na edição passada. “Queremos fazer uma grande festa. Colocar um telão aqui e chamar todo mundo para assistir a Copa”, conclui.

Realização: