Vila Torres Digital

O Desenvolvimento Humano com Kauanna Ferreira

Vila Torres Digital entrevista Kauanna Batista Ferreira, responsável pela ONG Organização de Desenvolvimento do Potencial Humano (ODPH)

| Notícias - 27/07/2012 13:13

A Vila Torres é feita por pessoas que não tem medo de colocar a mão na massa e ajudar a comunidade crescer, e Kauanna Batista Ferreira é uma delas. O Portal Vila Torres Digital entrevistou a responsável pela Organização de Desenvolvimento do Potencial Humano (ODPH), que nos contou mais sobre sua instituição e seus trabalhos:

VTD: Primeiro, nos conte sobre você.

Kauanna: Sou Kauanna Batista Ferreira, estudo jornalismo na PUC-PR e atualmente estou trabalhando na assessoria do deputado federal suplente Wilson Picler.

 

VTD: Quanto tempo mora na Vila e qual a sua ligação com ela?

Kauanna: Eu moro há 11 anos, mas a família Batista está em peso na Vila. Minha avó, dona Sebastiana, foi uma das primeiras moradoras, e também tenho vários tios e primos aqui, que são comerciantes locais. A raiz é muito forte.

 

VTD: O que é a ODPH e qual a sua relação com ela?

Kauanna: A ODPH (Organização de Desenvolvimento do Potencial Humano) é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, que foi criada com o intuito de resgatar a cultura da região e colaborar para o desenvolvimento do bairro, levando cultura, educação e formação para todos os cidadãos.

VTD: Conte-nos um pouco da história da ODPH e quanto tempo ela existe?

Kauanna: A ODPH existe há três anos. A história é longa, então vou resumir ao máximo.

Tudo começou quando ex-presidente da Vila de Oficio I e II, Sr. Claudio Santos, falou com minha mãe sobre o seu interesse em reunir jovens para serem voluntários na Vila. Assim, ela lhe disse para fazer tal proposta a mim.

Eu aceitei, e no dia seguinte já estávamos juntos montando um evento para animar a comunidade. Este foi o Dia da Cultura Vila Torres, que aconteceu no dia 16 de Junho, no qual conseguimos um caminhão e fechamos a rua para os talentos da comunidade se apresentar. Cantores, piadista, qualquer coisa podia se apresentar no palco, até bandas de fora. Foi um belo dia e muito animado.

Logo depois percebemos que a comunidade queria mudar, assim começamos a traçar um novo projeto: a Biblioteca Comunitária Vila Torres. Os livros eram encontrados no lixo pelos carrinheiros da comunidade.

No começo eu andava pela Vila e chamava as crianças a irem junto comigo no espaço que estávamos organizando para ler, pintar, e participar de diversas atividades, com a intenção de tirá-los das ruas. A equipe de trabalho na época era eu, minha mãe (Val), meu pai (Antonio), Cladio, Carlos, Lea, Silvana e Baleia. Esses são os fundadores da biblioteca.

Quando o espaço estava para completar dois anos, nós conseguimos uma parceria com a Maria Kloc, bibliotecária da UFPR, que fez todo o trabalho de catalogar os livros e ainda trocar alguns por outros mais atualizados.

No decorrer do funcionamento da biblioteca, eu senti a necessidade de termos um espaço maior para poder atender dignamente as crianças, e assim, começamos a procurar um espaço. Com sucesso, logo surgiu a oportunidade de alugar uma casa na esquina da rua Manoel Martins de Abreu com a rua Arnaldo Ravanelo.

Fomos atrás de um apoiador, Dr. Sinval Zaidan Lobato Machado, (que continua até hoje) que nos ajudou e nos deu força para abrir o projeto e montar a ONG, hoje toda regularizada.

VTD: Quem teve a iniciativa de cria-la e como foi o processo de criação?

Kauanna: A iniciativa foi minha. O processo de criação foi muito rápido, pois parecia que era para ser. Tudo que precisamos conseguíamos bem rápido. Conseguimos um apoiador, alugamos a casa e depois a mídia começou a nos ajudar para recebermos doações de mesas, cadeiras e materiais. Em pouco a pouco, meu pai fez o trabalho braçal, para que a casa pudesse atender as crianças e a comunidade em geral.

 

VTD: Como vocês conseguiram a sede fixa? Todos os trabalhos são realizados lá?

Kauanna: A casa ainda é alugada. Temos uma pessoa que ajuda com a metade do aluguel, mas quando ela não pode, minha mãe tira da mercearia, que é o seu trabalho.

Sim, todos os trabalhos são realizados ali!

 

VTD: Só você participa como voluntária ou existem mais pessoas?

Kauanna: Como voluntarias, são: eu, meu pai (Antonio), minha mãe (Val), Oneida, Heley e Rudolfo. Esses são os que atuam diariamente.

VTD: Quais são os trabalhos atuais realizados por ela? São apenas realizados na Vila Torres?

Kauanna: Contra turno escolar, aula de informática, capoeira, dança, violão e outras atividades que os voluntários trazem para somar. Hoje atuamos apenas na Vila Torres, mas pretendemos, quando tiver condições, colaborar com outros bairros para ampliar o trabalho.

VTD: Qualquer um pode ser voluntário?

Kauanna: Sim, é só ter vontade e nos procurar que as portas estão sempre abertas.

 

VTD: Que tipos de pessoas são ajudados?

Kauanna: Todos da comunidade, mas o foco principal são as crianças.

 

VTD: Vocês precisam de algum tipo de doação?

Kauanna: Sim! Sempre recebemos doações, são bem vindas. Sempre precisamos de algo, principalmente alimentos não perecíveis, que ajudem no lanche das crianças do contra turno.

 

VTD: Trabalham em parceria com outras ONGs?

Kauanna: Temos apoio com o CAV – Centro de ação voluntaria de Curitiba, e a ação Voluntaria, programa UANA da Fundação Getúlio Vargas.

 

VTD: Quais são os projetos para o futuro?

Kauanna: Primeiro comprar a casa que é alugada, para poder saber que o espaço é da comunidade e não ter medo de perdê-lo. Em seguida reformá-lo e construir um tríplex, para cada espaço atender a todos: idoso, adulto, jovem e criança.

 

VTD: Alguma mensagem que você queira deixar?

Kauanna: Apenas que tudo isso que fiz foi algo realizador que me fez mudar e pensar muito no outro e dar sentido a vida. Espero que cada um possa um dia ter uma experiência como essa, ser um voluntário para realmente sentir a realização pessoal.

Realização: